Edifício Residencial Weefor III

  • Equipe: Alexandre Kenji Okabaiasse, Giovanna Leal Antônio, Fabio Jon Long Zhou
    Localização: Curitiba, PR - Brasil
    Área: 12.000m²
    Ano: 2025

  • Memória e Diretrizes
    A Siderúrgica Guaíra teve um papel fundamental no desenvolvimento da Vila Guaíra, acompanhando o crescimento populacional e contribuindo para melhorias na infraestrutura local. Ao longo dos anos, a siderúrgica impulsionou a diversificação econômica da região, moldando significativamente seu cenário urbano. No entanto, sua presença também gerou impactos ambientais e físicos.

    Em contraponto ao caráter fechado da antiga indústria murada, adotam-se para o novo empreendimento estratégias que promovam a integração e com o entorno urbano, criando espaços livres que favorecem o encontro e o desenvolvimento lúdico das crianças, além de garantir áreas comuns qualificados e unidades habitacionais com iluminação natural, ventilação cruzada e visuais amplas. O projeto propõe um novo momento para o terreno da antiga siderúrgica, através de estratégias materiais e imateriais.

    A abordagem do projeto se baseia em três escalas fundamentais: urbana e entorno, implantação do edifício e unidades habitacionais. Esse pensamento estruturado assegura que o empreendimento dialogue com a cidade e o bairro e se adeque às características do contexto urbano, proporcionando conforto e qualidade de vida para seus moradores em todas essas escalas.

    Relação com a Cidade
    O projeto busca integrar-se harmoniosamente à sua localização, potencializando as qualidades do entorno e minimizando impactos de futuras edificações adjacentes. Para fortalecer essa relação, foi concebido um sistema de espaços livres que inclui uma praça de uso público na Rua Mato Grosso e outra na esquina dessa com a Rua Amazonas. Essas praças articulam os acessos de pedestres ao edifício e funcionam como extensão do comércio, promovendo a interação entre moradores e visitantes.

    A fachada ativa e permeável do térreo incorpora usos diversos, como academia e coworking para os moradores, além de estabelecimentos comerciais que atendem o público do bairro. Essa estratégia incentiva a permanência e o fluxo de pedestres, tornando o térreo dinâmico e acolhedor.

    Implantação
    A implantação do edifício foi planejada para garantir boa insolacão e ventilação natural para as unidades habitacionais. A maior ocupação do terreno ocorre na fachada voltada para a Rua Amazonas, onde há incidência solar norte e as visuais são mais qualificadas. Para suavizar a escala da edificação em relação à rua, foi incorporada uma massa de vegetação ao longo do passeio público.

    Na Rua Mato Grosso, via de menor velocidade, a ocupação foi projetada para reduzir a extensão do bloco que abriga os pavimentos superiores das unidades, enquanto o térreo abriga uma academia, criando um diálogo mais amigável com a escala do entorno. A implantação também considera afastamentos estratégicos para evitar sombreamento excessivo das unidades habitacionais por futuras construções vizinhas, garantindo boas condições de iluminação natural ao longo do ano, especialmente no inverno quando o sol está mais inclinado.

    A fachada sudeste foi inclinada à leste para otimizar a insolação e captação de luz natural. Fendas foram estrategicamente posicionadas nos perímetros do bloco para potencializar a ventilação natural do complexo e das unidades habitacionais. Além disso, a distribuição dos volumes permitiu a criação de duas praças internas, que futuramente poderão se conectar ao lote vizinho, integrando-se ao novo projeto previsto para o local.

    Acessos
    O acesso de pedestres acontece pela esquina, onde uma praça coberta proporciona uma transição amigável entre o espaço urbano e o edifício. Esse percurso é marcado por uma galeria, cujos pilares de concreto armado conferem ritmo ao caminhar, conduzindo moradores e visitantes por um mural de um artista plástico curitibano que retrata a história do local. Além disso, um espelho d'água faz referência às antigas piscinas de resfriamento da siderúrgica. Esses elementos da arquitetura brasileira criam uma identidade forte e conectam o empreendimento com seus moradores e visitantes.

    A galeria e o pátio interno articulam os acessos aos espaços comuns e privados do edifício, servindo de plano de fundo para a academia e o coworking. No ático, o empreendimento abriga os pavimentos superiores dos apartamentos duplex, além de um salão de festas e um espaço gourmet, estrategicamente posicionados para aproveitar as visuais privilegiadas do entorno.

    Os acessos de veículos foram organizados conforme a topografia do terreno: a entrada para o subsolo ocorre pela Rua Amazonas, onde a cota é mais baixa, enquanto as vagas térreas possuem acesso pela Rua Mato Grosso, localizada em uma cota mais elevada.

    Na fachada da Rua Amazonas foi criado um talude que ilumina e ventila a área do subsolo, logo a frente do núcleo de elevadores e escada de emergência.

    Unidades Habitacionais
    A distribuição das unidades habitacionais foi pensada para maximizar a insolacão, a ventilação natural e as visuais do entorno, priorizando os espaços de longa permanência. A distribuição dos ambientes internos  e posicionamento dos núcelos hidráulicos permite que os moradores adaptem os espaços de acordo com suas necessidades.

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